Criança autista de 9 anos é agredida após defender o irmão mais velho vítima de bullying no litoral de SP
- 31/08/2025

Menino autista foi agredido perto de escola após defender o irmão que estava sendo vítima de bullying em Praia Grande, SP Arquivo Pessoal Um menino de 9 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), foi agredido por estudantes próximo à Escola Municipal Professora Maria Clotilde Lopes Comitre Rigo, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Conforme apurado pelo g1, a vítima sofreu as agressões após defender o irmão mais velho, de 11, que estava sendo vítima de bullying por causa do peso. Em nota, a Prefeitura de Praia Grande, por meio da Secretaria de Educação, informou que tomou ciência dos fatos pela equipe da escola, e que a ocorrência aconteceu antes da entrada da criança na unidade escolar (leia o posicionamento completo abaixo). O menino agredido fisicamente é aluno do 4° ano da unidade. A mãe das vítimas, a auxiliar de produção Pamela Aparecida, disse que o filho de 9 anos estava chegando à escola, acompanhado do irmão mais velho e de outro mais novo. Foi quando começou o bullying e houve a reação da criança autista. De acordo com o Boletim de Ocorrência (BO), enquanto a vítima apanhava, na última sexta-feira (22), o irmão mais novo correu para pedir ajuda, e o mais velho, alvo das ofensas pelo peso, foi ameaçado para não interferir. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. Uma mulher, que passava pelo local para buscar a filha na mesma escola, interveio, conseguiu retirar os irmãos da confusão e os levou até o trabalho de Pamela, que foi informada sobre o ocorrido. Na sequência, a mãe levou o filho à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Samambaia. Pamela contou ao g1 que o filho relatou que mais de 20 estudantes fizeram uma roda ao redor dele e do irmão e o agrediram. Ela disse que o filho não ficou com hematomas, mas precisou de atendimento médico devido às dores e ao abalo emocional. "Ela [mãe que socorreu] viu que poderia acontecer algo pior. Graças a Deus ela se meteu porque, inclusive, um dos garotos pegou um bloco [de concreto] para tacar na cabeça do meu filho e disse que ia derramar o sangue do meu filho", disse Pamela. A mãe dos garotos contou que, inicialmente, a escola não ofereceu ajuda, mas ao perceber que Pamela não se calaria, resolveu se manifestar. "[É um] trauma muito grande, tanto psicológico quanto emocional para meus filhos e para mim também. Me sinto de mãos atadas, vejo que não tem acontecido só comigo." Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso foi registrado como lesão corporal pelo 3° Distrito Policial da cidade, que realiza diligências para esclarecer os fatos e identificar os autores. Menino autista foi agredido perto de escola após defender o irmão que estava sendo vítima de bullying em Praia Grande, SP Arquivo Pessoal O que diz a prefeitura A Prefeitura de Praia Grande afirmou que, diferente do alegado, a responsável foi devidamente atendida na escola e os fatos foram apurados junto aos alunos envolvidos, que foram identificados pela própria vítima. A equipe gestora comunicou à responsável as providências que seriam adotadas. Segundo a administração municipal, o relatório foi enviado ao Conselho Tutelar, os alunos envolvidos foram encaminhados a serviços públicos de apoio, e o Conselho de Escola foi acionado para analisar possível infração às normas de convivência da unidade. A prefeitura reforçou que as escolas municipais desenvolvem ações educacionais em razão do Protocolo Antibullying, sendo o tema amplamente discutido com alunos e comunidade. Podcast debate o bullying A presidente da Comissão dos Direitos da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) seção Santos, Simone Caetano Fernandes, participou do podcast Baixada em Pauta e falou sobre o combate ao bullying nas escolas, reforçando a importância do papel da família no processo de reconhecimento, amparo e educação dos estudantes. O tema é um debate que se tornou recorrente no dia a dia do país e da região, principalmente após o caso do menino Carlinhos, um adolescente de 13 anos que morreu após ser agredido pelas costas por dois estudantes em uma escola de Praia Grande em abril do ano passado. Baixada em Pauta aborda o bullying com representante da OAB-Santos O bullying é definido pela Lei 14.811/24 como ato de intimidar, mediante violência física ou psicológica, de modo intencional, repetitivo e sem motivação evidente. Segundo a advogada, a prática pode ser relacionada à dinâmica familiar dos alunos que praticam a agressão. VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos
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